Fellow em Cardiologia Está Redefinindo o Cuidado Inclusivo com Pacientes

Pacientes LGBTQ+ ainda são frequentemente negligenciados nos cuidados cardiovasculares. A Dra. Kadijah Porter está liderando um novo modelo de atendimento, onde confiança, identidade e respeito resultam em melhores desfechos clínicos.
Fellow em Cardiologia Está Redefinindo o Cuidado Inclusivo com Pacientes
“Quero ser um rosto que represente minha comunidade. Independentemente de como as pessoas se identificam, quero ser uma fonte de acolhimento para quem precisa de cuidados cardiovasculares que salvam vidas.”

A medicina sempre foi algo pessoal para a Dra. Kadijah Porter, fellow em cardiologia atuando no Colorado. Sua trajetória começou cedo, motivada pela experiência de seu pai com insuficiência cardíaca — e se intensificou após sua perda, justamente quando ela iniciava a faculdade de medicina. Essa vivência, somada às desigualdades no acesso à saúde, tornou-se uma força decisiva em sua carreira.

“Meu pai não buscou atendimento logo no início”, conta. “Ele esperou porque nenhum dos médicos parecia com ele, e não havia confiança. Procurou ajuda apenas quando já não havia mais como esperar.”

Essa experiência levou a Dra. Porter a assumir a missão de construir um futuro diferente — onde pacientes de todas as origens se sintam vistos, ouvidos e seguros. Hoje, ela atua para tornar o cuidado cardiológico mais equitativo e inclusivo, especialmente para pacientes LGBTQ+ e pessoas negras.

O poder da representatividade
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A representatividade na medicina é essencial — não apenas para quem recebe o cuidado, mas também para quem o oferece.

Como mulher negra e integrante da comunidade LGBTQ+, a Dra. Porter entende o impacto da identificação na relação médico-paciente.

“Quero ser um rosto que represente minha comunidade”, afirma. “Independentemente da forma como as pessoas se identificam, quero ser uma fonte de acolhimento.”

Seja explicando diagnósticos de forma clara ou criando espaço para que pacientes expressem dúvidas e inseguranças, ela oferece um atendimento baseado em empatia, dignidade e clareza.

Respeito também é uma habilidade clínica

O viés na medicina pode ser sutil — mas seus efeitos são profundos. Muitas vezes, ele aparece em perguntas que não são feitas ou em suposições equivocadas.

“Entramos no quarto e já começamos a examinar o paciente”, explica. “Não perguntamos: ‘Posso ouvir seu coração?’ — simplesmente começamos.”

Mesmo sendo médica, a Dra. Porter também enfrenta situações de preconceito.

“Não é incomum eu ser a única pessoa negra na sala, ou o paciente direcionar perguntas a um residente homem branco depois de eu já ter explicado o plano de cuidado.”

Por isso, ela atua na formação de novos profissionais, promovendo um modelo de atendimento baseado em empatia, consentimento e respeito.

“Sempre me apresento dizendo: ‘Olá, sou a Dra. Porter. Meus pronomes são ela/dela. Como você prefere ser chamado(a)?’”

Esse gesto simples pode ser o primeiro passo para reconstruir a confiança de pacientes que já tiveram experiências negativas no sistema de saúde.

O ponto cego da cardiologia na pesquisa LGBTQ+
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A Dra. Porter participou recentemente de um painel no congresso do American College of Cardiology sobre saúde LGBTQ+. Sua principal mensagem: a forma como coletamos dados precisa evoluir.

Muitos prontuários ainda confundem sexo e gênero ou não coletam informações consistentes sobre orientação sexual e identidade de gênero.

Como resultado, pacientes LGBTQ+ permanecem invisíveis nas pesquisas cardiovasculares, mesmo enfrentando fatores de risco específicos.

“Sem essa distinção nos dados, é quase impossível entender os riscos reais dessa população”, afirma.

Essa lacuna limita a personalização do cuidado e perpetua um sistema onde muitos pacientes não se sentem representados.

Inclusão gera melhores resultados

Na cardiologia, entender o contexto completo do paciente pode fazer toda a diferença.

Para pacientes LGBTQ+, fatores como terapia hormonal, experiências anteriores no sistema de saúde e barreiras de acesso influenciam diretamente o diagnóstico e o tratamento.

Quando essas informações não fazem parte da conversa, o cuidado pode se tornar incompleto.

O atendimento inclusivo permite decisões mais precisas e humanas, fortalecendo o vínculo entre médico e paciente.

Quando os pacientes se sentem respeitados, eles se engajam mais no tratamento e confiam mais no processo.

“Quero que isso seja responsabilidade de todos. Quanto mais perdemos oportunidades de prevenção, mais todos pagam por isso — não apenas o paciente.”
Um chamado à responsabilidade coletiva

A Dra. Porter reconhece que ainda há muito a evoluir. A saúde LGBTQ+ ainda é pouco abordada na formação médica, e muitos profissionais não se sentem preparados para essas conversas.

Mesmo assim, ela segue otimista e focada em transformação.

Para ela, o cuidado inclusivo não é um diferencial — é uma necessidade para alcançar melhores resultados na medicina.

Sua visão é clara: uma medicina onde respeito, representatividade e precisão clínica caminham juntos, garantindo que todos os pacientes se sintam valorizados desde o primeiro contato.