Médica Incentiva Profissionais de Saúde a Perguntarem aos Pacientes Sobre Seus Pronomes

Médica Incentiva Profissionais de Saúde a Perguntarem aos Pacientes Sobre Seus Pronomes

A médica de família Meggie Woods, MD, defende a importância de perguntar aos pacientes quais pronomes utilizam e promover um atendimento verdadeiramente inclusivo e afirmativo de gênero. Além de atuar com populações vulneráveis, Woods utiliza o estetoscópio digital 3M™ Littmann® CORE para auxiliar em suas avaliações clínicas.

Enfrentando desigualdades no atendimento à comunidade LGBTQ+

Meggie Woods atende pacientes em uma clínica para pessoas em situação de vulnerabilidade social em Oakland, Califórnia, além de atuar em um grande hospital comunitário.

Muitos dos pacientes acompanhados por Woods apresentam necessidades médicas complexas, frequentemente agravadas por condições sociais difíceis e pela falta de acesso adequado aos serviços de saúde.

“Sou a principal responsável clínica pelos programas de HIV, uso de substâncias e cuidados afirmativos de gênero”, explica Woods.

Segundo a médica, diversos pacientes chegam ao consultório após anos evitando atendimento médico por não se sentirem seguros ou acolhidos em ambientes de saúde.

“Atendo pessoas que nunca fizeram exames preventivos, como papanicolau ou mamografia, porque não sentiam que os serviços de saúde eram lugares seguros para elas”, relata.

Entre as necessidades mais frequentes estão o acesso à profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), tratamentos hormonais e encaminhamentos para cirurgias de afirmação de gênero.

“Poder oferecer hormônios e encaminhamentos para cirurgias afirmativas tem sido algo transformador e, em muitos casos, literalmente salvador para os pacientes”, afirma.

A importância de ferramentas avançadas no atendimento clínico

Além do cuidado voltado à saúde LGBTQ+, Woods acompanha pacientes com diversas condições cardiovasculares.

“Frequentemente diagnostico insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial e insuficiência da válvula mitral”, explica.

Em um dos casos relatados, um sopro cardíaco identificado durante o exame físico levou à realização de um ultrassom à beira do leito, permitindo detectar insuficiência mitral em um paciente que desconhecia completamente a condição.

Para auxiliar em avaliações como essa, Woods utiliza o estetoscópio digital 3M™ Littmann® CORE.

O interesse pela tecnologia surgiu inicialmente devido à experiência de seu parceiro, que nasceu com perda auditiva profunda e utilizava aparelhos auditivos desde a infância.

Quando ele decidiu ingressar na faculdade de Medicina, surgiu a preocupação sobre como realizaria auscultas clínicas.

“Compramos um 3M™ Littmann® CORE para verificar se a tecnologia poderia ajudar”, conta.

Atualmente, utilizando implantes cocleares, ele consegue transmitir diretamente os sons cardíacos e pulmonares do estetoscópio digital para seus dispositivos auditivos, realizando auscultas de maneira semelhante aos colegas.

O aplicativo da Eko também permite integração com aparelhos auditivos e implantes cocleares compatíveis via Bluetooth.

Melhorando a ausculta em situações desafiadoras

Alguns anos depois, Woods também passou a utilizar o dispositivo em sua prática clínica diária.

Embora normalmente conseguisse ouvir sons corporais com estetoscópios tradicionais, determinadas situações continuavam sendo desafiadoras.

“Existem cenários em que é difícil ouvir sons corporais devido à composição corporal ou à espessura da parede torácica do paciente”, explica.

Além disso, ruídos ambientais frequentemente dificultavam a ausculta.

Com a amplificação sonora e o cancelamento ativo de ruído do Littmann® CORE, Woods passou a perceber sons que antes poderiam passar despercebidos.

“Agora consigo ouvir sons mais suaves que anteriormente talvez não recebessem tanta atenção durante a avaliação”, relata.

Outro aspecto curioso foi a repercussão positiva do acabamento metálico colorido do estetoscópio.

“Recebo muitos comentários sobre meu estetoscópio com acabamento arco-íris. As pessoas adoram. Pequenos detalhes assim ajudam pacientes LGBTQ+ a se sentirem mais confortáveis e seguros com seu profissional de saúde”, comenta.

A relevância dos nomes e pronomes corretos

Para Woods, utilizar corretamente o nome e os pronomes escolhidos pelo paciente é uma demonstração básica de respeito e acolhimento.

“Muitas vezes vejo prontuários em que pacientes são tratados pelo nome de nascimento ou por pronomes incorretos”, explica.

Segundo a médica, essas situações podem gerar desconforto imediato e prejudicar a relação de confiança entre paciente e profissional.

“Quando um médico utiliza o nome ou os pronomes errados, a pessoa imediatamente se sente insegura. Por isso é tão importante perguntar quais pronomes cada paciente utiliza”, afirma.

Ela destaca que todos os membros da equipe de saúde devem receber treinamento adequado para compreender a importância dessas práticas e saber conduzir essas conversas de forma respeitosa.

Por esse motivo, Woods realiza treinamentos regulares com sua equipe sobre inclusão, identidade de gênero e comunicação acolhedora.

Promovendo uma nova geração de profissionais mais inclusivos

Além da atuação clínica, Woods participa da formação de estudantes de Medicina da University of California, San Francisco (UCSF).

Segundo ela, os alunos demonstram grande interesse em aprender sobre saúde LGBTQ+, atendimento a populações vulneráveis e condições médicas frequentemente associadas à situação de rua.

“Os estudantes têm sido extremamente receptivos, curiosos e interessados em aprender”, destaca.

Para Woods, construir ambientes de saúde mais inclusivos depende tanto de avanços institucionais quanto da disposição dos profissionais em ouvir, aprender e respeitar as experiências dos pacientes.

Ao incentivar o uso correto de nomes e pronomes, ela espera contribuir para que mais pessoas se sintam seguras ao buscar atendimento médico e tenham acesso aos cuidados que realmente precisam.